terça-feira, 1 de junho de 2010

Velas, cerimônia e outras bobagens.

Não, não estou falando de velórios e sim de uma festa que nunca, mas nunca mesmo, vai entrar na minha cabeça; festa de debutante. Não existe coisa mais sem sentido e cheia de momentos bizarros que uma “grandiosa” festa de 15 anos. O pai quer que seja uma festa bonita, porém não muito cara, a mãe quer que a filha esteja feliz no dia, independente de quanto for gastar e das “atrações” que vão haver na festa. E a debutante, ahhh a debutante, quer um momento mágico, sublime, único, uma festa que todos lembrem, com pompa e todos os badulaques que tiver direito, ou seja, uma festa de princesa. Agora eu pergunto que princesa, me digam uma apenas, que ouve, vai ouvir ou já ouviu o “Créu” a “Dança da Cordinha” ou qualquer outra dessas músicas que tocam em festas de 15 anos. Imagine a Cinderela na sua festa de debutante, toda lindona, uma verdadeira princesa dançando o “Rebolation”, o pai da Princesa de Mônaco dançando “agarra, agarra os carecas”, melhor não imaginar né. Mas antes da “balada” e dessas músicas que não deveriam existir, tem todo aquele cerimonial, 15 casais, velas, entrada triunfante e o mestre de cerimônia. O mestre de cerimônia quando é um cara bacana consegue até salvar alguns momentos da festa que são meio chatos e desconexos, mas quando é um cara sem noção ai o negócio fica feio, muito feio. Em geral esses “caras” não deram muito certo em outros ramos e profissões e como tiveram a sorte de ter uma voz razoável resolvem ser Cerimonialista em festas de 15 anos e outros eventos. Cerimonialista é o tipo de pessoa que chama os avós de vovô e vovó, que chama os pais de papai e mamãe e claro, chama a debutante de linda menina que agora virou mulher e esta vivendo um momento único. Além de ser sempre muito “simpaticão”, tão simpático que chega a irritar, você pede uma informação simples como, onde fica o banheiro e o cara anuncia nas caixas de som a sua dúvida. Outra coisa que não entendo nessas festas é aquela “ceninha” acende a vela, fica paradinho, apaga a vela e dança; pelo amor de Deus eu pergunto pra quê? Se alguém souber, por favor, me ajude qual o significado daquele estranho ritual? E o mestre de cerimônia fala sobre a vida da menina, os sonhos, as vontades e os desejos pro futuro e também fala sobre a inocência da menina, assim, vamos combinar que nos tempos de hoje se meninas de 15 anos são inocentes, vacas têm asas e gatos botam ovos. Não posso deixar de lembrar que sempre, eu disse sempre, nas festas de 15 anos tem três ou mais amigas da aniversariante, que resolvem fazer um “santo jogral” falando sobre amizade e sobre o quanto a menina é importante, aquela choradeira e sempre uma delas não consegue falar da umas gaguejadas e acabam todas abraçadas sem ninguém entender nada. O pai sempre dá um presente especial pra filha, uma jóia, sempre muito cara, pra uma menina de apenas 15 anos, eu desconfio que depois da festa o pai ou pega de volta e devolve pra loja ou a menina se for ligeira vende e compra a coleção de CDs do NX Zero inteira. Aí acabam as homenagens, acaba a pompa, acaba a parte “princesinha” da festa, chegou a hora do baile. O baile tem duas situações diferentes, primeiro as pessoas mais velhas que estão na festa, vovós e os vovôs quando ouvem que vai haver um baile ficam muito animadinhos, o que eles não imaginam é que o baile em questão vai tocar músicas como “Festa no Apê”, “Funk das poposudas” entre outras pérolas da música de hoje em dia. As vovós e os vovôs se conformam que não vai tocar Roberto Carlos no “bailinho” dos 15 anos da netinha e ficam quietinhos nas cadeiras comendo salgadinho. Agora a segunda questão do baile do aniversário, são as pessoas de meia idade lá pros seus 35,40 anos, essas pessoas têm que entender pelo amor do papai do céu que não é bonito um homem de 40 anos dançando bêbado ao som de balão mágico, muito menos uma mulher de 35 dançando ”o créu” no meio das menininhas, por favor, parem de fazer isso nas festas ok? Depois de tantas bizarrices e coisas fúteis me resta comer um cajuzinho e ir embora.